Novas recomendações que salvam vidas, agora atualizadas para o ensino e a prática no Brasil
A American Heart Association (AHA) divulgou em 2025 as novas Diretrizes Internacionais de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) e Cuidados de Emergência Cardiovascular, com mudanças que impactam diretamente o ensino de Primeiros Socorros e os cursos obrigatórios da Lei Lucas
Essas atualizações trazem novos parâmetros técnicos e abordagens mais seguras e éticas, reforçando a importância da capacitação contínua de professores, cuidadores, brigadistas e profissionais de saúde.
1. RCP em crianças e lactentes
Nos primeiros socorros, a atualização mais importante é a mudança na técnica de compressão torácica em bebês:
- A tradicional técnica com dois dedos foi substituída pela técnica dos dois polegares circundando o tórax ou pela base de uma mão, que oferecem melhor profundidade e eficácia.
- As pausas durante a RCP devem ser inferiores a 10 segundos, para evitar queda na perfusão e no retorno da circulação espontânea.
- A RCP de alta qualidade deve ser contínua, mantendo 100 a 120 compressões por minuto e profundidade de cerca de 4 cm em lactentes e 5 cm em crianças.
Essas alterações refletem uma abordagem mais realista e segura para socorristas e educadores treinados pela Lei Lucas.
2. Engasgo e obstrução das vias aéreas
A AHA padronizou o manejo de obstrução de vias aéreas por corpo estranho, simplificando o protocolo para todas as idades.
- Crianças maiores de 1 ano: aplicar 5 golpes nas costas entre as escápulas, seguidos de 5 compressões abdominais, repetindo o ciclo até a desobstrução.
- Lactentes: realizar 5 tapas firmes nas costas e 5 compressões torácicas com a base de uma mão, sem usar compressões abdominais.
- Adultos: manter o mesmo padrão – 5 golpes nas costas + 5 compressões abdominais, até que o objeto seja expelido ou a vítima fique inconsciente.
Essa sequência de 2025 torna o atendimento mais uniforme e intuitivo, facilitando o aprendizado em escolas e instituições.
3. Uso do Desfibrilador Externo Automático (DEA)
O DEA continua sendo um dos equipamentos mais eficazes no atendimento pré-hospitalar, mas as novas diretrizes incluíram uma atualização relevante:
- Durante o uso em mulheres adultas, pode-se ajustar o sutiã sem removê-lo para posicionar as pás de desfibrilação.
Essa medida visa reduzir barreiras e agilizar o socorro, promovendo mais equidade no atendimento em locais públicos.
Mas vale destacar que apesar de ser de fácil manuseio, o uso do DEA deve ser realizado por pessoas capacitadas em primeiros socorros e suporte básico de vida, garantindo a correta aplicação do equipamento e maior segurança para a vítima.
4. Cuidados após a ressuscitação
Após o retorno da circulação espontânea (RCE), os cuidados pós-PCR também foram aprimorados:
- Evitar hipotensão: manter pressão arterial média (PAM) acima de 65 mmHg em adultos e valores adequados para a idade em crianças.
- Controle de temperatura: manter controle térmico por pelo menos 36 horas para reduzir sequelas neurológicas.
- Apoio emocional: incluir avaliação e encaminhamento psicológico para sobreviventes e familiares, devido ao risco elevado de sofrimento emocional após o evento.
Essas medidas ampliam o conceito de primeiros socorros, reforçando que o cuidado não termina na reanimação, mas continua no acolhimento e recuperação.
5. Ética e responsabilidade nos primeiros socorros
As Diretrizes 2025 destacam um capítulo específico sobre ética na ressuscitação.
A decisão de iniciar, interromper ou não realizar manobras deve considerar valores, autonomia e segurança.
- É ético suspender a RCP quando há sinais evidentes de morte irreversível, risco grave ao socorrista ou diretiva antecipada recusando o tratamento.
- O atendimento deve ser compartilhado, com diálogo entre equipe, paciente e familiares.
- As instituições devem garantir apoio emocional e treinamento ético para reduzir o sofrimento moral dos profissionais.
Essas orientações consolidam a RCP como um ato técnico e humano, orientado por ciência e compaixão.
6. Situações específicas no atendimento
Alguns cenários exigem condutas adaptadas, reafirmadas nas diretrizes:
- Afogamento: priorizar ventilações antes das compressões, pois a causa é hipóxia.
- Intoxicação por fumaça ou gás: garantir a segurança do local e oferecer oxigenação.
- Choque elétrico: desligar a fonte antes de tocar na vítima.
- Traumas graves: manipular com cautela, suspeitando de lesão cervical.
Esses pontos são essenciais para professores, agentes escolares e brigadistas que atuam em ambientes com risco de acidentes.
7. Recuperação e acompanhamento pós-evento
A AHA reforça que a recuperação emocional e física é parte fundamental do cuidado.
- Sobreviventes e cuidadores devem receber acompanhamento psicológico estruturado antes da alta hospitalar.
- Crianças e bebês que passaram por ressuscitação precisam de acompanhamento médico e reabilitação por pelo menos um ano.
- Instituições de ensino e saúde devem ter protocolos de apoio pós-evento, fortalecendo a segurança e a confiança da comunidade.
Conclusão: atualização que salva vidas
As Diretrizes AHA 2025 consolidam uma nova geração de práticas de primeiros socorros, mais efetivas, éticas e humanas.
Profissionais e educadores devem revisar seus protocolos, adaptar treinamentos e garantir que as escolas e locais públicos estejam alinhados às novas evidências.
O Instituto Treni já atualizou seus cursos de Primeiros Socorros e Lei Lucas com base nas diretrizes AHA 2025.
Mantenha sua certificação atualizada.
A cada ciclo, a ciência avança, e quem salva vidas precisa avançar junto.

