A atualização da NR-1 trouxe maior destaque para os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Com isso, muitas empresas passaram a enfrentar uma nova dúvida: como iniciar corretamente a identificação e avaliação desses riscos?
Antes mesmo da aplicação de questionários, avaliações ou ferramentas específicas, existe uma etapa fundamental que muitas organizações acabam negligenciando: a preparação do processo.
Essa preparação é essencial para que a avaliação dos fatores psicossociais realmente represente a realidade das atividades executadas e permita a implementação de medidas preventivas eficazes.
O que deve ser levantado antes da avaliação?
A preparação começa pelo levantamento detalhado das informações da organização.
A empresa precisa compreender como o trabalho realmente acontece dentro do ambiente operacional.
Entre os principais pontos que devem ser analisados estão:
• estrutura do estabelecimento;
• disposição dos setores;
• etapas do processo produtivo;
• atividades executadas;
• organização do trabalho;
• características dos trabalhadores;
• jornadas e demandas operacionais.
Essas informações ajudam os profissionais de SST a compreenderem onde podem existir fatores psicossociais relacionados ao trabalho.
A saúde ocupacional também deve ser analisada
Outro ponto importante é reunir informações relacionadas à saúde dos trabalhadores.
Entre os dados que podem auxiliar nessa etapa estão:
• registros de afastamentos;
• indicadores do PCMSO;
• Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT);
• histórico de acidentes;
• avaliações ergonômicas anteriores;
• análises já realizadas pela empresa.
Esses dados ajudam a identificar setores, funções ou atividades que podem apresentar maior exposição a fatores psicossociais.
Por exemplo, um setor com aumento frequente de afastamentos relacionados à ansiedade, estresse ou transtornos mentais pode indicar necessidade de análise prioritária.
A preparação também envolve os critérios do GRO/PGR
Antes da avaliação, a organização também deve revisar os critérios utilizados no gerenciamento de riscos, incluindo severidade, probabilidade, classificação dos riscos, níveis de risco e critérios de tomada de decisão. A NR-1 exige que essas definições estejam formalizadas de maneira clara e documentada, garantindo transparência para gestores, trabalhadores, profissionais de SST e também para a fiscalização do trabalho.
A listagem de perigos ajuda na avaliação
A avaliação dos fatores psicossociais exige profissionais capacitados e não deve ser tratada apenas como a aplicação de um formulário pronto. A utilização de qualquer ferramenta envolve conhecimento técnico, domínio da metodologia utilizada, interpretação adequada dos resultados e capacidade de análise das condições ocupacionais. Por isso, a empresa precisa garantir que os profissionais envolvidos possuam preparo adequado para conduzir o processo de forma correta e alinhada às exigências da NR-1 e da NR-17.
Qual estratégia utilizar na avaliação?
A avaliação dos fatores psicossociais pode ser realizada por diferentes abordagens, como observação das atividades, entrevistas, diálogos com trabalhadores, questionários, pesquisas, workshops ou combinação de métodos. A escolha da estratégia deve considerar as características da empresa, os objetivos da avaliação e a realidade das atividades executadas.
Empresas de grande porte normalmente utilizam pesquisas amplas, questionários estruturados e ferramentas digitais para alcançar diferentes setores. Já organizações menores podem obter melhores resultados por meio de observação direta das atividades, oficinas e reuniões participativas, permitindo uma análise mais próxima da rotina operacional.
O Ministério do Trabalho não define uma ferramenta obrigatória, a definição da metodologia e das ferramentas utilizadas deve ser feita pela própria organização junto aos profissionais de SST responsáveis pelo processo.
O ambiente de confiança é essencial
Criar um ambiente de confiança é fundamental durante a avaliação dos fatores psicossociais. Quando existe comunicação transparente, os trabalhadores tendem a participar mais e relatar com maior clareza os problemas presentes na rotina de trabalho. Nos casos em que forem utilizados questionários, também é importante garantir o anonimato, evitando medo, insegurança ou distorções nas respostas.
A avaliação exige profissionais capacitados
A avaliação dos fatores psicossociais exige preparo técnico e análise criteriosa das condições de trabalho.
Mais do que preencher documentos, a empresa precisa compreender os fatores organizacionais que podem gerar desgaste físico e mental nos trabalhadores e desenvolver medidas preventivas eficazes.
Por isso, investir em capacitação contínua e atualização profissional também faz parte do fortalecimento da gestão ocupacional. O Instituto Treni atua nesse processo por meio de treinamentos em Segurança e Saúde no Trabalho voltados à prevenção, atualização normativa e aplicação prática das Normas Regulamentadoras nas organizações.
A preparação define a qualidade da gestão dos riscos psicossociais
Quanto mais estruturado for esse processo, maior será a capacidade da organização de identificar fatores de risco reais, avaliar corretamente as condições de trabalho, implementar medidas preventivas eficazes e fortalecer o GRO e o PGR.

