Fevereiro Roxo: estresse, riscos psicossociais e o impacto no lúpus e na fibromialgia no trabalho
O Fevereiro Roxo é uma campanha de conscientização voltada a doenças crônicas que exigem acompanhamento contínuo e impactam diretamente a qualidade de vida. Entre elas, destacam-se o lúpus eritematoso sistêmico (LES) e a fibromialgia, condições que, além de seus mecanismos clínicos próprios, apresentam forte relação com fatores emocionais, comportamentais e ambientais.
No contexto da Saúde e Segurança do Trabalho, o Fevereiro Roxo amplia o olhar sobre o adoecimento relacionado ao trabalho, reforçando que o ambiente laboral, especialmente quando marcado por riscos psicossociais, pode contribuir para o agravamento de sintomas, crises e perda funcional em trabalhadores que convivem com essas doenças.
Riscos psicossociais e o ambiente de trabalho
Riscos psicossociais estão associados à forma como o trabalho é organizado, gerido e vivenciado. Situações como pressão excessiva por resultados, sobrecarga de tarefas, jornadas prolongadas, conflitos interpessoais, assédio, falta de autonomia e insegurança profissional geram estresse crônico, com repercussões que vão além da saúde mental.
Esse tipo de estresse persistente altera padrões de sono, aumenta fadiga, prejudica a recuperação física e interfere em mecanismos neuroendócrinos e imunológicos, criando um cenário desfavorável para pessoas com doenças crônicas.
Estresse e lúpus: o que a ciência aponta
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune que pode alternar momentos de melhora e períodos de piora dos sintomas. A ciência já demonstrou que o estresse emocional e psicológico interfere diretamente no funcionamento do organismo.
Quando uma pessoa passa por situações de estresse, o corpo entra em estado de alerta e libera hormônios ligados à resposta de defesa, como o cortisol e a adrenalina. Essa reação é normal e ajuda o corpo a lidar com situações difíceis por um curto período.
O problema acontece quando o estresse se torna frequente ou constante. Nesse caso, essas alterações deixam de ser positivas e passam a interferir no sistema imunológico, aumentando processos inflamatórios. Em pessoas com lúpus, esse desequilíbrio pode favorecer a piora dos sintomas ou o surgimento de crises, especialmente após períodos de tensão emocional, conflitos ou pressão contínua.
Dentro do Fevereiro Roxo, falar sobre essa relação é essencial para combater a ideia de que as crises de lúpus acontecem “do nada” ou são responsabilidade apenas do indivíduo. O ambiente social e o ambiente de trabalho, quando marcados por estresse excessivo, também podem influenciar o controle da doença.
Fibromialgia, estresse e trabalho
A fibromialgia é caracterizada por dor crônica difusa, fadiga intensa, distúrbios do sono e alterações cognitivas. O estresse psicológico não apenas agrava os sintomas, mas também participa de um ciclo em que dor, ansiedade, depressão e exaustão se retroalimentam.
No ambiente de trabalho, fatores como metas inalcançáveis, cobrança constante, ausência de pausas, conflitos e dupla jornada, especialmente entre mulheres, intensificam esse ciclo. Isso se reflete em maior dificuldade de concentração, queda de produtividade, aumento do absenteísmo e, muitas vezes, afastamentos prolongados.
O Fevereiro Roxo contribui para tornar visível uma dor que muitas vezes é invisível, combatendo o estigma de que a fibromialgia é “exagero” ou “falta de resistência”.
O papel da empresa e da gestão de riscos
A abordagem preventiva passa pelo Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, que hoje inclui explicitamente os fatores psicossociais relacionados ao trabalho. Avaliar e controlar esses riscos significa olhar para a organização do trabalho, não para fragilidades individuais.
Entre as medidas mais efetivas estão:
- Ajuste de cargas de trabalho e prazos
- Clareza de papéis e responsabilidades
- Combate ativo ao assédio e aos conflitos
- Pausas adequadas e respeito aos limites físicos e cognitivos
- Apoio institucional e acolhimento sem estigmatização
Essas ações não substituem o tratamento clínico, mas reduzem agravamentos, afastamentos e sofrimento evitável.
Fevereiro Roxo como ação concreta em SST
Mais do que uma campanha simbólica, o Fevereiro Roxo pode ser utilizado pelas empresas como um momento estratégico para:
- Promover informação qualificada sobre doenças crônicas
- Sensibilizar lideranças sobre riscos psicossociais
- Reforçar políticas de saúde e bem-estar
- Estimular ambientes de trabalho mais humanos e seguros
Conclusão
O Fevereiro Roxo reforça uma mensagem essencial para a Saúde e Segurança do Trabalho: doenças crônicas não têm cura, mas têm cuidado, respeito e gestão adequada dos riscos.
Reconhecer a influência do estresse e dos riscos psicossociais no lúpus e na fibromialgia é um passo importante para ambientes de trabalho mais saudáveis, produtivos e alinhados à proteção da vida.

