Funcionária vence ação por EPI vencido 

Uma decisão recente envolvendo o Tribunal Superior do Trabalho acendeu um alerta importante para empresas de todo o país. Uma trabalhadora conseguiu a rescisão indireta do contrato após comprovar o uso de EPI vencido, evidenciando falha na gestão de segurança.

O caso deixa claro um ponto crítico: não basta fornecer o EPI. É obrigatório garantir que ele esteja adequado durante todo o uso.

O erro mais comum: olhar apenas a validade do CA

Muitas empresas acreditam que basta verificar o Certificado de Aprovação (CA). Isso está incompleto.

Quando falamos de EPI, existem três controles obrigatórios que devem ser considerados:

1. Validade do CA (Certificado de Aprovação)

  • Documento emitido pelo governo que autoriza a comercialização do EPI;
  • Deve estar válido no momento da compra;
  • Se vencer após a aquisição, o produto pode continuar sendo utilizado, desde que esteja íntegro e dentro da validade do fabricante.

2. Validade do produto (fabricante)

  • Informada na embalagem ou pelo fabricante;
  • Relacionada à degradação natural dos materiais;
  • Após o vencimento, o EPI não deve ser utilizado.

3. Vida útil do EPI

  • Relacionada ao tempo real de uso e às condições de trabalho;
  • Pode ser reduzida por fatores como:
    • Exposição ao sol;
    • Contato com produtos químicos;
    • Desgaste mecânico;
    • Frequência de uso;
  • Nem sempre está definida em dias, podendo depender de inspeção técnica.

O que a Justiça considerou no caso

No processo, ficou comprovado que:

  • Os EPIs estavam fora do prazo de durabilidade;
  • Não havia controle efetivo sobre a substituição;
  • O equipamento não neutralizava o risco ocupacional.

Resultado: foi reconhecida falha grave da empresa, permitindo a rescisão indireta, equivalente à demissão sem justa causa.

O que a empresa precisa verificar na prática

Para evitar esse tipo de problema, a gestão de EPI deve incluir:

Controle documental

  • Registro de compra com CA válido;
  • Ficha de entrega assinada;
  • Controle de lote e validade do fabricante;

Controle operacional

  • Inspeção periódica dos EPIs;
  • Substituição conforme desgaste;
  • Registro de troca;

Controle técnico

  • Avaliação da eficácia do EPI;
  • Integração com o Programa de Gerenciamento de Riscos;
  • Monitoramento em programas específicos, exemplo:
    • PCA para ruído;
    • PPR para proteção respiratória;

Capacitação do trabalhador

  • Treinamento sobre uso correto;
  • Orientação sobre sinais de desgaste;
  • Ensaios de vedação, quando aplicável (respiradores);

Gestão de EPI: não é entrega, é processo

Um dos principais erros das empresas é tratar o EPI como um item de compra.

Na prática, ele faz parte de um sistema de controle que envolve:

  • Seleção adequada;
  • Aquisição correta;
  • Armazenamento;
  • Distribuição;
  • Monitoramento;
  • Substituição.

Sem isso, o equipamento deixa de cumprir sua função principal: proteger o trabalhador.

O caso julgado pelo TST reforça um ponto essencial: EPI vencido não é apenas falha operacional, é risco jurídico e trabalhista.

Empresas que não controlam corretamente:

  • Validade do CA;
  • Validade do produto;
  • Vida útil do EPI;

podem ser responsabilizadas por negligência, mesmo que tenham fornecido o equipamento.

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